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A CLARIVIDÊNCIA E AS ALUCINAÇÕES

A designação percepção extra-sensorial não caberia muito exatamente ao fenômeno de captação, por clarividência, da informação relativa ao seu contorno, por parte de um sensitivo. Na realidade ocorre uma percepção "parassensorial" em que os "sentidos" usados são os do corpo astral quando este se encontra ligeiramente afastado do veículo físico, nos deslocamentos da cúpula. Embora um sensitivo esteja totalmente desperto, pode ocorrer uma pequeníssima disjunção da cúpula ao nível do corpo astral. Nesta ocasião, o paciente pode perceber sensória e parassensorialmente tanto o plano físico quanto o plano astral.

Se na ocasião houver, nas suas proximidades, objetos ou espíritos de personalidades desencarnadas, ele poderá perceber os referidos objetos ou pessoas desencarnadas bem como, simultaneamente, os objetos e pessoas físicas de suas "adjacências". Deste modo o sensitivo tem a impressão de estar vendo ou ouvindo um indivíduo já desencarnado, dentro do ambiente onde se encontram ele e as demais pessoas da sua companhia. Ele funde as duas categorias de percepção, a astral e à física, compondo uma cena única, a qual inclui encarnados e desencarnados.

Este fato ocorre comumente com os moribundos pre-agônicos que vêem aproximar-se parentes e amigos já falecidos que os vêm buscar. Nos estados extremos o corpo astral e a respectiva cúpula principiam o desprendimento que mais tarde se efetuarão totalmente com o processo da morte. Assim o moribundo, embora ainda em estado de vigília, pode perceber concomitantemente os objetos e pessoas de suas adjacências, confundidos com os do plano astral também próximos. Estes e os demais fenômenos desta categoria são rotulados de alucinações.

Há pessoas com grande tendência para deslocar a cúpula astral, mesmo em estado normal. São os "médiuns videntes" que, com a maior facilidade vêem, ouvem e dão-nos notícias de amigos e parentes falecidos. Tais sensitivos normalmente afirmam que estão avistando ou ouvindo os desencarnados como se eles estivessem dentro da cena física em que nos achamos. Num dado momento os espíritos desaparecem como se fossem apagados dali, ou dão a impressão de movimentar-se ou afastar-se atravessando paredes e obstáculos sólidos.

Vê-se imediatamente que se trata de uma superposição de duas percepções simultâneas, uma física e outra astral fundidas na mente do sensitivo. A par da percepção paravisual pode ocorrer também a percepção parauditiva, paratáctil, paragustativa e paraolfativa, através dos sentidos astrais. O sensitivo, além de ver, pode ouvir a voz, sentir o perfume, etc. peculiares ao desencarnado. E' importante esclarecer que não somente os desencarnados podem ser percebidos assim. Na literatura parapsicológica ha um número imenso de casos catalogados de aparições de pessoas vivas também. Geralmente os fantasmas de vivos são produzidos em ocasiões de crises agudas das pessoas que aparecem: nos momentos da morte, durante graves perigos, durante o sono, quase sempre devido as projeções do corpo astral, conforme i-remos tratar mais adiante.

Para os que desejarem conhecer um bom trabalho a respeito das aparições, recomendamos a obra de G.N.M. Tyrrel, Appavitions London: Spciety for Psychical Research, 1973. Outro livro" interessante a esse respeito é o de Ernesto Bozzano, Comunicações Mediúnicas Entre Vivos São Paulo: EDICEL, 1968. As alucinações desta categoria podem ocorrer simultaneamente com mais de uma pessoa. Isto se da quando há mais de um sensitivo percebendo as mesmas cenas astrais. Em certas ocasiões podem ocorrer circunstâncias que facilitem a vários pacientes o "deslocamento da cúpula" na mesma oportunidade e lugar.

Entretanto podem ocorrer também aparições visíveis a varias testemunhas, algumas até fotografáveis. Estas não se enquadram na categoria das alucinações. São entes realmente físicos e visíveis embora sua origem seja paranormal, como iremos esclarecer mais adiante. Trata-se de ectoplasmias ou fantasmas objetivos.

As crianças são muito suscetíveis de sofrer alucinações, especialmente na primeira infância. Nelas a cúpula astral é particularmente desarticulável. Desse modo é comum verem-se crianças brincando com "amiguinhos" invisíveis para as demais pessoas. Os psicólogos catalogam tais ocorrências na categoria da "imaginação e criatividade infantis". Mas, na maioria dos casos, a visão é real, e o "amiguinho" é mesmo "visto" pela criança.

Os "deslocamentos da cúpula" respondem não somente pelas alucinações. Eles estão implicados em outros aspectos do mediunismo, entre eles a psicofonia, a psicografia, as incorporações, obsessões e possessões.

Fonte: IPPB – Comunidade espírita

 

http://www.comunidadeespirita.com.br/temas
                                                         

 

Licantropia


Servir-nos-emos de algumas referências do capítulo «Fascinação» para, aceitando a tese da sua progressividade, chegarmos à Licantropia, fenômeno a que se referiu Bozzano e que foi, igualmente, objeto de menção pelo Assistente Aulus. Ao estudarmos o capítulo XXIII de «Nos Domínios da Mediunidade», organizamos, no quadro negro, o seguinte gráfico:

FASCINAÇÃO

SUBJETIVA OU PSICOLÓGICA

FENÔMENOS ALUCINATÓRIOS

ATITUDES EXCÊNTRICAS

FANATISMO RELIGIOSO

 

 

OBJETIVA OU ORGÂNCIA

LICANTROPIA DEFORMANTE

LICANTROPIA AGRESSIVA

ANOMALIAS PATOLÓGICAS


Esse mesmo gráfico será, neste livro, o ponto de partida para o escorço que tencionamos fazer em torno da Licantropia.
Comecemos por defini-la: é o fenômeno pelo qual Espíritos «pervertidos no crime» atuam sobre antigos comparsas, encarnados ou desencarnados, fazendo-os assumir atitudes idênticas às de certos animais.

A fim de favorecer o desenvolvimento de nossas insiderações, iniciemos esta página com um trecho da arrativa de André Luiz: «A infortunada senhora, quase que uivando, à semelhança de loba ferida, gritava a debater-se no piso da sala, sob o olhar consternado de Raul que exorava a Bondade Divina em silêncio.

Goleando pelo chão, adquiria animalesco aspecto, não obstante sob a guarda generosa de sentinelas da casa.»Sublinhamos, intencionalmente, as expressões «à semelhança de loba ferida» e «coleando pelo chão». Atitudes realmente animalescas. Mais adiante, explicando o fenômeno, temos a palavra esclarecedora do Assistente:

«Muitos Espíritos, pervertidos no crime, abusam dos poderes da inteligência, fazendo pesar tigrina crueldade sobre quantos ainda sintonizam com eles pelos débitos do passado. A semelhantes vampiros devemos muitos quadros dolorosos da patologia mental dos manicômios, em que numerosos pacientes, sob intensiva ação hipnótica, imitam costumes, posições e atitudes de animais diversos.»
A simples fascinação de hoje — caracterizada por fenômenos alucinatórios, atitudes ridículas ou absurdas mesmo, pelo fanatismo religioso — pode agravar-se e rogredir de tal maneira que se converta na Licantropia e amanhã.

Comprometidos com o passado, através de débitos do nosso acumpliciamento no mal, com entidades infeorizadas, com as quais estamos sintonizados no Tempo no Espaço, poderemos ter a nossa vontade submetida » império hipnotizante dessas entidades.
Enquanto a fascinação tem sentido mais psicológico, a licantropia vai mais além. Reveste-se de aspecto mais objetivo, exteriorizando-se na própria organização somática, ou perispirítica, se a vítima for encarnada ou desencarnada .

Há casos extremos de licantropia deformante, em que a pessoa imita «costumes, posições e atitudes de animais diversos», bem assim de licantropia agressiva, que se expressa através da violência, da alucinação e, até, do crime. A imprensa sensacionalista relacioná-los-á como fruto de «taras», sem maiores explicações; os estudiosos do Espiritismo verão nesses casos apenas manifestações de licantropia agressiva, com poderosa e cruel atuação do elemento invisível.
Quando a Medicina e o Direito estenderem as mãos ao Espiritismo, os seus mais graves problemas serão me-Ihormente equacionados.

Anomalias patológicas, modificadoras da configuração anatômica dos pacientes, observadas especialmente em hospitais de indigentes, via de regra expressam a influência terrível de entidades vingativas junto a antigos desafetos. O Espiritismo — anjo tutelar dos infortunados —, analisando a causa de tais sofrimentos, ajuda as vítimas das grandes obsessões a se recuperarem. Três condições principais podem ser indicadas como favorecedoras da cura de pessoas que sofrem a atuação dessas pobres entidades, a saber:
a)
— Estudo (Evangelho e Doutrina);
b) — Trabalho (atividade incessante no Bem);
c) — Amor no coração (converter a própria vida em expressão de fraternidade).

Solucionará o Espiritismo, através dos seus milhares de grupos mediúnicos e das dezenas de suas Casas de Saúde, todos os casos de Licantropia? Responder afirmativamente seria rematada leviandade. Todavia, além de lhe ser possível equacionar alguns casos, menos entranhados no passado, levará ao coração de perseguidos e perseguidores a semente de luz do perdão, para germinação, crescimento, florescimento e frutificação oportunos.

No Grande Porvir, verdugos e vítimas de hoje estarão, redimidos e irmanados, cultivando nos Planos Superiores o Sublime Ideal da Fraternidade Legítima. E não podia deixar de ser assim, a fim de que, agora e por toda a Eternidade, se confirmem, integralmente, as palavras de Nosso Senhor Jesus-Cristo: «Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá.»

Fonte: IPPB – Comunidade espirita

http://www.comunidadeespirita.com.br/temas/licantropia.htm