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Após a Tempestade

A uma simples vibração do nosso ser, a um pensamento emitido, por mais secreto nos pareça, evidenciamos de imediato a faixa vibratória em que nos situamos, que terá pronta repercussão naqueles que estão na mesma freqüência vibracional. Assim, atrairemos aqueles que comungam conosco e que se identificam com a qualidade de nossa emissão mental.

O importante é meditarmos a respeito de quanto somos influenciáveis, e quão fracos e vacilantes somos. O Espiritismo, levantando o véu dos mistérios, nos traz a explicação clara demonstrando-nos a verdade e, através desse conhecimento, nos dá condições de vencer os erros e sobretudo de nos preservarmos de novas quedas.

É que, como médiuns, todos somos sensíveis a essas aproximações e ninguém há que esteja absolutamente livre de influenciações espirituais. Escolher a nossa companhia espiritual é de nossa exclusiva responsabilidade. Somos livres para a opção.

No passado, sabemo-lo hoje, escolhemos o lado das sombras, trilhando caminhos tortuosos, tentadores, e que nos pareciam belos. Optamos pelo gozo material, escolhendo a estrada do crime, onde nos chafurdamos com a nossa loucura, enquanto fazíamos sofrer os seres que de nós se aproximavam. Muitos de nós ouvimos a palavra do Cristo e tivemos a sagrada ensancha de optar entre a luz e a sombra. Mas, aturdidos e ensandecidos, preferimos Mamon e César.

Após essa desastrosa decisão, que repercutiria em nosso mundo intimo, em tragédias de dores acerbas e sofrimentos prolongados pelos séculos a fora, fomos rolando, quais seixos levados pela caudal de águas turbilhonantes, tendo junto a nós aqueles que elegemos como companheiros de jornada. Até que chegamos, finalmente, ao porto seguro do Consolador.

Toda essa trajetória está magnificamente narrada por Joanna de Ângelis, no capitulo 24 do seu livro “Após a Tempestade”. E ela nos adverte de que já não há mais tempo a perder: “Estes são os momentos em que deveremos colimar realizações perenes. Para tanto, resolvamo-nos em definitivo a produzir em profundidade, acercando-nos de Jesus e por Ele nos deixando conduzir até o termo da jornada.”

Eis a opção que o Espiritismo nos faculta agora. Escolha consciente, amadurecida. Escolha feita por quem já sabe e conhece. Por isto mesmo muito mais responsável.

 

 

 

 

No Santuário do Lar

Senhor

No Santuário do Lar, recordando a Tua sábia conduta, no abençoado reduto doméstico, nós, os discípulos imperfeitos da Tua mensagem de luz, erguemo-nos para rogar em favor das nossas lutas.

- Ajuda-nos a amar, embora a aflição de que nos sentimos objeto;

- Ensina-nos a servir, apesar dos desencantos que acumulamos;

- Oferece-nos inspiração para as atividades, mesmo em face do cansaço ou do desespero que nos esmagam;

- Doa-nos a alegria, conquanto as chuvas de fel nos atormentem;

- Instrui-nos no serviço do bem, mesmo com as feridas não cicratizadas das lutas renhidas;

- Levanta-nos para prosseguir e perseverar!

Não somos outros Espíritos...

- Somos os dilapidadores da paz alheia, envergando roupagens novas;

- Somos os algozes do passado, travestidos de vítimas do presente;

- Somos os inquietadores agora inquietados;

- Somos os semeadores da discórdia, colhendo cardos;

- Somos os pomicultores da usura nas mãos da necessidade;

Recapitulamos para aprender, recomeçamos para crescer.

Ainda ontem, ouvindo Tua voz, desertamos do dever, e dizendo-Te servir, distendemos a impiedade e a perturbação...

Hoje, porém, libertados da imprudência, levantamo-nos para a vida. nossa rota, nossa luz, nosso bastão.

Senhor, sustenta a nossa fragilidade e apieda-te de nós!

Marcelo Ribeiro - Espírito

Psicografado por Divaldo Franco

Livro: Sol de Esperança.

 

O ESPÍRITO QUE FAZIA O MÉDIUM DORMIR

    Jerônimo era um médium diferente. Não faltava a uma sessão mediúnica. Dizia ele que era um legítimo trabalhador de Deus e não pensava nunca em ser negligente com o Pai. Todas as quartas feiras às 19 horas ele estava no centro esperando os outros colegas chegarem.

    Todos reunidos, adentravam o recinto da mediunidade. Jerônimo ficava atento ao início da sessão. Colaborava em todos os sentidos para que houvesse uma boa sessão mediúnica e que todos pudessem ajudar os irmãozinhos necessitados e serem também ajudados.

    Acontece que Jerônimo tinha um grande problema. Assim que a luz era quebrada e a sala ficava a meia luz para facilitar as comunicações, Jerônimo caía no sono. Dormia tanto que roncava.

    Vários alertas foram feitos ao nosso querido médium. Foi aconselhado que ele dormisse um pouco durante o dia – ele seguiu o mandamento a risca. Que ele ingerisse pouco alimento – ele seguiu à risca, que não se cansasse muito – assim ele fez e nada.

    Conversamos muito com o nosso amigo, com o presidente, com a espiritualidade e não houve jeito de o nosso amigo ter uma postura melhor. Não que ele não quisesse, mas porque não conseguia mesmo.

    Víamos que numa sessão assim não haveria muito proveito para o nosso amigo Jerônimo. Não poderíamos pedir para que o nosso amigo mudasse bruscamente sua postura, pois ele não conseguiria mesmo. O jeito foi continuar assim e assim permanecemos por 8 anos.

    Um dia, numa sessão de sempre, o nosso irmão dormindo na mesa, eis que um espírito se incorpora em um médium e diz num tom bem alto:

    - Jerônimo, acorde, seu tempo acabou. Daqui para frente vamos trabalhar pesado.Não podemos mais perder tempo.Temos muita coisa para fazer.

    - Jerônimo acordou meio sobressaltado, mas deu tempo para ouvir o que o espírito disse. E continuou o espírito:

    - Senhor presidente, o meu nome é Rufino e era eu quem fazia o Jerônimo dormir. Assim que iniciava os trabalhos eu chegava perto dele para que ele dormisse. Para que ele não acordasse, eu tinha que ficar perto, se eu saísse, ele iria acordar. Eu não queria que ele evoluísse, não queria que ele se tornasse melhor. Eu estava conseguindo meu objetivo, mas de tanto ter que ficar perto dele, quem acabava ouvindo, mesmo sem querer, era eu. Assim fui aprendendo e hoje estou preparado para trabalhar com vocês, aprendendo o que me for possível. Peço desculpas ao Jerônimo e a todos que participam desta mesa. Eu não entendia nada do que vocês falavam, mas hoje sei muito bem o que é uma sessão espírita. Vou continuar aqui sim e ao lado do Jerônimo, mas para ajudar. Os senhores podem ficar alerta, pois se o Jerônimo dormir de hoje em diante numa mesa mediúnica eu vou dar um beliscão nele.

    Nunca mais o Jerônimo dormiu numa mesa e se melhorou muito. Ficamos impressionados com este caso e ficamos nos interrogando: por que a espiritualidade não nos disse a respeito deste irmão? Já tínhamos feito esta pergunta e não veio nenhuma resposta adequada.

    O Rufino não nos deu nenhuma pista porque ele estava sempre com o Jerônimo, mas ficamos pensando: talvez fosse algum irmão prejudicado dele em outra encarnação.

    Depois deste fato o irmão Rufino vinha de vez em quando em nossa casa Espírita, e o nosso irmão Jerônimo nunca mais roncou numa mesa mediúnica.