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Assunto de Aceitação

 

Cornélio Pires

 

“Se pedimos nossas provas,

– Diz você, Joaquim Paixão –

Como é que se vê do Além

O assunto da aceitação?”

 

“Se há tanta gente na fuga

Do respeito a compromisso, Diga,

Cornélio, o que há,

Como posso entender isso?”

 

Compreendo, caro irmão,

Seus raciocínios extremos.

No entanto, saiba!... Nós mesmos

Pedimos o que sofremos.

 

Nos fatos da delinquência

É que a coisa se complica:

Reparação do infrator

É a pena que se lhe aplica.

 

Sem essa exceção na regra,

Na verdade vista, a fundo,

Rogamos, antes do berço,

As nossas lições no mundo.

 

Ao fim de cada existência,

Em conta particular,

O espírito reconhece

Os débitos a pagar.

 

A gente anota com susto

Quantas faltas ao dever ;

Quantos votos a cumprir,

Quanto trabalho a fazer!

 

Analisando a nós mesmos,

Em claro e justo juízo,

Pede-se a Deus corpo novo

Para o que seja preciso.

 

Aparece a concessão.

Eis que a pessoa renasce;

Por dentro, as tendências velhas

Sob a luz de nova face...

 

Aí, começam problemas...

Encontra-se a obrigação.

Entretanto, é muita gente

Nas ondas da deserção.

 

Se você quer aprender,

Segundo o Reto Pensar,

São muitos os casos tristes

Que podemos relembrar.

 

Você recorda o Nhô Cássio?

Pediu cegueira comprida;

Ao ver-se na provação,

Matou-se com formicida.

 

Aninha rogou viver

Com dois filhos mutilados;

Ao ter dois gêmeos em luta

Fez dois anjos enjeitados.

 

Rogou fraqueza no corpo

Nhô Nico Bartolomeu ;

Sentindo-se desprezado,

Revoltou-se e enlouqueceu.

 

Anita pediu o encargo

De proteger João de Tina;

Ao vê-lo pobre e doente,

Largou-se na cocaína.

 

Na penúria que pedira

Nosso amigo João Vilaça,

Em vez de buscar serviço,

Atolou-se na cachaça.

 

Pediu nervos relaxados

Nhô Sizínio Rapadura;

Ao ver-se em corpo imperfeito,

Jogou-se de grande altura.

 

Léo rogou prisão no leito

E, tendo paralisia,

Atirou-se na descrença

E acabou na rebeldia.

 

Joana pediu procissões,

Corpo enfermo e vida em brasa,

Quando entrou na provação,

Desprezou a própria casa.

 

É isso aí... Paciência

Não vive conosco em vão...

Quem se aceita, espera e serve,

Melhora de condição.

 

De tudo, aparece um ensino

Que não se deve olvidar:

Dor de quem não se conforma

Tende sempre a piorar.

 

 

Do livro Amanhece. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

A necessidade do amor.

Ninguém pode nos amar mais que Jesus nos ama.

O amor divino supera qualquer amor terrestre. Quem poderá dar a vida pelo outro, quem poderá carregar uma cruz tão pesada pelo outro, quem poderá ser sacrificado ao ponto de entregar sua vida pelo outro. Nesse mundo ninguém é capaz de fazer tal coisa. Pois o amor que se existe na vida terrena não é tão glorioso. Porque o amor de Jesus sempre será infinito e insubstituível.

Não há amor de pai, mãe, irmãos, amigos, parentes que substitua esse amor sublime.

Nós, quando criança, precisamos dos ensinamentos, acompanhamento materno e paterno para conseguirmos alcançar os objetivos da vida, eles são os nossos orientadores, eles são os nossos guias visíveis, é dada aos pais o compromisso de guiar aquela criança ao mundo que lhe espera.

Mas nem sempre esses pais conseguem alcançar esse compromisso, porque nós todos somos falhos, principalmente, o egoísmo, ambição, preocupação com seu próprio futuro, deixando de lado o compromisso de encaminhar nossos filhos para o mundo lá fora.

Essas falhas não prejudicam só os pais, mas os filhos também são atingidos.

Quando um espírito está para encarnar, ele faz a escolha da família que quer ter.

Aí lhe é mostrado os perigos que corre, mas, ele faz essa escolha para tentar superar junto com seus escolhidos (família), todas as falhas que ficaram nos seus antepassados.

Quantas pessoas carregam dores da infância, quantas pessoas levam para o seu dia-a-dia a necessidade do amor de pai e mãe, quantos não conseguem perdoar no fundo do seu eu as falhas dos seus pais. Não caberá aos filhos cobrarem isso de si mesmos e nem dos seus pais.

Não precisamos cobrar algo de alguém que não quer arcar com seus compromissos. Não cabe a nós cobrarmos um amor de quem não sabe o que é amar.

Mas cabe ao Deus todo poderoso cobrar no futuro daqueles quem não quiseram cumprir com seus compromissos.

Sempre há a necessidade de uma nova reencarnação para se cumprir o que nos é dado. Quando um pai e uma mãe não conseguem concluir sua missão aqui presente, lhes acarretará uma grande cobrança futura. Vamos supor que em outra vida os papéis sejam trocados. O pai será o filho e o filho será o pai. Porque será que isso deverá acontecer?

Deus faz tudo de acordo com o que nós precisamos. Se as falhas que cometemos são tão grande ao ponto de prejudicarmos outras pessoas ao nosso redor deveremos arcar com tudo que nos vem.

“Felizes aqueles que sofrem e que choram! Que suas almas se alegrem porque serão abençoados por Deus.” Santo Agostinho.

"Mas os cuidados deste mundo, os enganos das riquezas e as ambições doutras coisas, entrando, sufocam a palavra, que fica infrutífera." - Jesus. (MARCOS, 4:19.)

A árvore da fé viva não cresce no coração, miraculosamente. Qual acontece na vida comum, o Criador dá tudo, mas não prescinde do esforço da
criatura.

Qualquer planta útil reclama especial atenção no desenvolvimento. Indispensável cogitar-se do trabalho de proteção, auxílio e defesa. Estacadas, adubos, vigilância, todos os fatores de preservação devem ser postos em movimento, a fim de que o vegetal precioso atinja os fins a que se destina.

A conquista da crença edificante não é serviço de menor esforço. A maioria das pessoas admite que a fé constitua milagrosa auréola doada a alguns espíritos privilegiados pelo favor divino. Isso, contudo, é um equívoco de lamentáveis conseqüências.

A sublime virtude é construção do mundo interior, em cujo desdobramento cada aprendiz funciona como orientador, engenheiro e operário de si mesmo.

Não se faz possível a realização, quando excessivas ansiedades terrestres, de parceria com enganos e ambições inferiores, torturam o campo íntimo, à maneira de vermes e malfeitores, atacando a obra.

A lição do Evangelho é semente viva. O coração humano é receptivo, tanto quanto a terra. É imprescindível tratar a planta divina com desvelada ternura e instinto enérgico de defesa.

Há muitos perigos sutis contra ela, quais sejam os tóxicos dos maus livros, as opiniões ociosas, as discussões excitantes, o hábito de analisar os outros antes do autoexame.

Ninguém pode, pois, em sã consciência, transferir, de modo integral, a vibração da fé ao espírito alheio, porque, realmente, isso é tarefa que compete a cada um.

Autor: Emmanuel/Francisco Cândido Xavier