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CARNE E SESSÃO MEDIÚNICA

Dr. Ricardo Di Bernardi AME SC

Os amigos espirituais nos falam que é bom evitar carne vermelha nos dias de sessão mediúnica.

Dizem eles que: a carne dos mamíferos possui energia vital de densidade muito semelhante a nossa o que leva a uma aderência maior desta energia ("fluido vital”) ao nosso campo de energia vital. Vamos emitir uma hipótese como exercício de raciocínio, e não como “verdade doutrinaria”.

1) Lembramos que o mamífero foi morto precocemente, portanto cheio de vida ou seja de energia vital em seus tecidos para uma encarnação de muitos anos ainda. Sua carne , portanto, encontrava-se plena de energia vital ("fluido vital "). Parte deste fluido vital permanece nos matadouros e costuma ser vampirizada pelos espíritos enfermos e desequilibrados que tenham o corpo astral (perispírito ) muito denso . Outra parte desta energia vital não sendo vampirizada, e não retornando a massa de energia do universo, como ocorre nas mortes naturais fica impregnando a carne.

2) AO INGERIRMOS A CARNE (nos referimos em especial aos mamíferos ) há uma decomposição ou fragmentação de seus subcomponentes (aminoácidos etc...) os quais serão absorvidos pelo nosso sangue . A energia vital por sua vez é absorvida também se encaminhando para o nosso corpo vital (denominação de Kardec ) ou corpo etérico que é o campo de energia fixadora do perispírito ao corpo biológico. Este corpo vital (corpo etérico ) ao absorver esta energia vital do mamífero, torna-se mais denso mais "oleoso " dificultando o trânsito das energias do corpo biológico para o corpo espiritual (perispírito ).

3) esta dificuldade acarretaria:

3.1 maior dificuldade do desdobramento mediúnico.
3.2 maior dificuldade na captação de energias espirituais
3.3 maior dificuldade na doação de energias pelo passe.
3.4. maior dificuldade em receber o passe.
3.5 com o passar dos anos crescente dificuldade nos sentidos mencionados.

Conclusão 1: Os mentores espirituais pedem para não comer carne vermelha nos dias de sessão por uma razão cientifica (ciência deles ) e não por qualquer motivo piegas.

Conclusão 2: Quando disse Jesus: "atirai vossas redes ao mar. " poderíamos entender, também , ser melhor nos alimentarmos de peixes. brincando, diríamos : é claro o peixinho é tão limitado (burrinho) , nem pineal desenvolvida tem, é quase como um sincício espiritual ou alma-grupo. Não existe uma individualidade bem constituída em peixes como existe em mamíferos. Portanto, o fluido vital dos peixes não tem a mesma característica dos animais superiores. Seria quase como nos vegetais, onde um conjunto de mudas de grama são centenas de princípios espirituais que se fundem em um gramado sem individualidade . (alma- grupo é uma denominação esotérica mas o raciocínio é o mesmo nosso de espíritas ) . A individualidade, conforme Jorge Andréa e outros autores encarnados e desencarnados, só se atinge a nível dos lacertídeos e os peixes, pela pineal quase inexistente, ainda não tem esta organização .


Dr. Ricardo Di Bernardi

Florianópolis SC

 

O USO DA ALIMENTAÇÃO CARNÍVORA

A questão sobre a alimentação tem sido bastante discutida no movimento espírita.

Mensagens como a de Emmanuel (questão 129 da Ref. 1) e de André Luiz (Cap. 4 da Ref. 2) desaconselham o uso da alimentação carnívora.

Entretanto, isso parece se contrapor com a orientação básica dos Espíritos superiores presentes nas questões 722, 723, 724 e 734 do Livro dos Espíritos3. Reproduziremos aqui a questão 723:

723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?

—  “Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização”.

Pretendemos demonstrar aqui que a recomendação de Emmanuel e André Luiz de se evitar a alimentação carnívora possui bases doutrinárias, não estando, portanto, em desacordo com o Espiritismo. Para isso, recorremos à Revista Espírita de dezembro de 1863 onde Kardec reproduziu uma mensagem do Espírito Lamennais4 que esclarece de modo claro todos os ângulos dessa questão:

“Sobre a alimentação do Homem”

(Sociedade de Paris, 4 de Julho de 1863. Médium: Sr. A. Didier)

“O sacrifício da carne foi severamente condenado pelos grandes filósofos da antiguidade. O Espírito elevado revolta-se à idéia de sangue e, sobretudo, à idéia de que o sangue é agradável à Divindade. E notai bem, que aqui não se trata de sacrifícios humanos, mas unicamente de animais oferecidos em holocausto.

Quando o Cristo veio anunciar a Boa-Nova, não ordenou sacrifícios de sangue: ocupou-se unicamente do Espírito. Os grandes sábios da antiguidade igualmente tinham horror a estas espécies de sacrifícios e eles próprios só se alimentavam de frutos e raízes.

Na terra os encarnados têm uma missão a cumprir:

Têm o Espírito que deve ser nutrido pelo Espírito, o corpo com a matéria; mas a natureza da matéria influi (compreende-se facilmente) sobre a espessura do corpo e, em consequência, sobre as manifestações do Espírito. Os temperamentos naturalmente muito fortes para viver como os anacoretas5 fazem bem, porque o esquecimento da carne leva mais facilmente à meditação e à prece.

Mas para viver assim, geralmente seria necessária de uma natureza mais espiritualizada que a vossa, o que é impossível com as condições terrestres. E como, antes de tudo, a natureza jamais age contra o bom senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações. Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto, desde que seja razoável. É uma questão algo leviana para os nossos estudos, mas não menos útil e proveitosa”. (os grifos são nossos).

Essa mensagem explica que a dieta sem o uso da carne é melhor, pois isso “leva mais facilmente à meditação e à prece”. Isso aconteceria, pois, segundo Lamennais, a natureza da matéria influi nas manifestações do Espírito. Podemos comparar a situação com os vícios. Aquele faz uso de uma droga, por exemplo, impregna seu perispírito de vibrações que limitarão suas manifestações no mundo espiritual. Da mesma forma, o uso de uma dieta menos carnívora torna o perispírito menos “espesso” (usando aqui uma palavra que Lamennais usou no texto) o que permite que ele tenha mais facilidade em elevar seu pensamento em prece.

Porém, Lamennais, de modo responsável, deixou claro que a dieta vegetariana dependeria do aprimoramento espiritual da nossa Humanidade terrestre, o que ainda não ocorre. Daí adverte que “a natureza jamais age contra o bom senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações”. Por isso a questão 723 acima não condena o uso da carne.

Sobre privações, a questão 724 do Livro dos Espíritos3 recomenda:

724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?

—  “Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa”.

Dessa forma, a privação da carne só teria mérito se ocorrer em benefício do próximo. As atividades espíritas de passes e as reuniões mediúnicas constituem exemplos em que a abstenção do uso da carne, pelo menos no dia dessas atividades, pode levar a benefícios aos assistidos encarnados ou desencarnados. Mas se o tarefeiro tiver dificuldade com isso, Raul Teixeira6 assevera que, “É mais compreensível, e me parece mais lógico, que a pessoa coma no almoço o seu bife, se for o caso, ou tome seu cafezinho pela manhã, do que passar todo o dia atormentada pela vontade desses alimentos, sem conseguir retirar da cabeça o seu uso, deixando-se de concentrar-se na tarefa, em razão da ansiedade para chegar em casa, após a reunião, e comer ou beber aquilo de que tem vontade”.

Lamennais ainda disse que “Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto” sem esquecer que isso deve ser feito “desde que seja razoável”, isto é, sem exageros.

Portanto, a recomendação de Emmanuel e André Luiz é válida e está de acordo com o Espiritismo, mas não deve ser considerada uma exigência para a realização de um bom trabalho espírita ou uma boa reunião mediúnica. Lembremos, afinal, que Jesus em Mateus, Cap. 15 e vers. 11 disse que: “Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina”. E, para aprimorar o que sai de “nossa boca” e de nossos atos, devemos nos esforçar pela reforma íntima e no estudo doutrinário.

Referências:
[1] Emmanuel, psicografia de F. C. Xavier, O Consolador, FEB, 20ª Edição (1999).
[2] André Luiz, psicografia de F. C Xavier, Missionários da Luz, FEB, 26ª Edição (1995).
[3] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a Edição, (1995).
[4] Lamennais, Revista Espírita Dezembro, pp. 387- 388 (1863).
[5] Anacoreta é uma pessoa que se retira a um local isolado para dedicar-se a meditação e oração.
[6] D. P. Franco e J. R. Teixeira, Diretrizes de Segurança, Editora FRATER, 8ª Edição (2000).