ARAR
ORANDO
Pelo
Espírito Joana de Ângelis
Narra
Leão Tolstoi que um sacerdote convidou um lavrador a orar,
e este, que se encontrava na gleba laborando, respondeu não
poder acompanhá-lo à oração porque arava.
Após meditar, obtemperou o ministro da fé religiosa:
fazes bem, pois que arar é também orar...
A estória criada pelo eminente filósofo e moralista
cristão tem plena aplicação na atualidade.
Ante um mundo aturdido qual o dos nossos dias, a cada instante espíritos
desarvorados bradam: mais ação, menos oração.
Deixemos a prece, usemos o trabalho. A miséria necessita de
pão e socorro, não de palavras e orações...
Hoje, no entanto, como em todos os tempos, o utilitarismo esquece
a previdência e o instantâneo é responsável
pelas conseqüências funestas e graves, que advirão
mediatas.
Sem dúvida, a ação edificante é geratriz
da mecânica do progresso e da felicidade dos povos. Todavia,
convém não olvidarmos que a oração é
o lubrificante da máquina da vida.
Nem oração sem ação, nem atividade sem
prece.
A medida ideal, evidentemente, será orar antes de atuar para
que a ação imprevidente não conduza o desassisado
à oração do desespero.
Fala-se muito em miséria social, em abandono social, em desespero
social. Fala-se apenas, e, quando se age, ao invés de operar
no sentido da produção do bem e da paz, muitos se precipitam
no desequilíbrio, gerando ódio e anarquia. Dos escombros,
porém, o soerguimento de qualquer ideal é muito mais
difícil senão doloroso e demorado. Com ponderação
afirmamos que nada pior do que o idealismo desenfreado a estrugir
nas mentes imaturas de muitos homens.
Nesse sentido, faz-se recomendável a reflexão e em particular
a oração que enseja intercâmbio com as fontes
luminosas da vida, produzindo equilíbrio e inspiração
para o desenvolvimento da ação. Arar, pois, é
orar também.
O solo sulcado, a terra preparada, o grão na cova e a vigilância
do lavrador, por melhores condições em que se encontrem,
dependem dos recursos divinos a se manifestarem no sol, na chuva ou
nos granizos e no vento...
Levantemo-nos, quanto possível, através da oração
lenificadora e inspirativa, para sairmos a servir e atender, agindo
com segurança e acerto.
Em todos os seus passos, Jesus se nos revelou o trabalhador infatigável,
por excelência, consubstanciando em atitudes desataviadas e
seguras as palavras de que estavam cheios seu ideal e seu coração.
Onde se encontrava, era a ação operosa e diligente.
Todavia, jamais descurou de elevar-se ao Pai, através da comunhão
oracional, e não poucas vezes deixou a multidão - a
mesma multidão famélica e atenazada a repontar através
dos séculos - para refugiar-se na oração. E porque
considerasse a prece como medida de segurança, recomendou:
Orai para não cairdes em tentação, nas tentações
que enlouquecem, fazendo se desatrelem os carros das paixões
desta ou daquela natureza, rotuladas também com o nome de ideal.
Psicografia
de Divaldo Pereira Franco
Do livro: A Prece Segundo os Espíritos
Diversos Espíritos